Eu gosto de gente.
Gosto do que acontece quando ninguém está tentando fazer bonito. Do abraço que demora um pouco mais, da mão que procura outra sem perceber, da risada que chega antes de qualquer pose. Gosto das coisas que acontecem no intervalo, quando a vida simplesmente acontece e ninguém está preocupado em guardar aquilo.
Antes de ser fotógrafa, fui enfermeira. Passei muitos anos aprendendo a estar perto das pessoas nos momentos em que elas mais precisavam de cuidado. Aprendi a observar, a ouvir, a respeitar o silêncio e a entender que, às vezes, estar presente é a coisa mais importante que podemos oferecer.
Levo tudo isso comigo.
Hoje, quando chego para fotografar um nascimento, uma gestação ou uma família em casa, não estou procurando apenas uma imagem bonita. Quero conhecer um pouco daquela história. Perceber o que pode passar despercebido. O jeito como alguém olha, a mão que aperta, o cansaço, a espera, a bagunça, a alegria que não cabe direito no rosto.
Quero que as fotografias tenham espaço para tudo isso.
Para o que foi planejado e para o que saiu completamente diferente. Para os dias luminosos e para aqueles em que a gente só consegue seguir porque tem alguém por perto. Para a beleza que não precisa ser arrumada antes de aparecer.
Eu acredito que a vida merece ser lembrada como ela foi vivida. Com suas particularidades, seus detalhes e as pessoas que fizeram parte dela.
E gosto de pensar que, daqui a alguns anos, quando vocês voltarem a essas imagens, não vão encontrar apenas como eram ou como estavam naquele dia. Vão encontrar um pouco do que sentiram. Vão lembrar de uma voz, de um toque, de uma presença. Talvez até de alguma coisa que já não lembravam mais.
É por isso que eu fotografo.
Para guardar o que o tempo, do jeito dele, costuma levar. E para que, quando vocês olharem para as fotografias, encontrem nelas um pedacinho da vida que foi de vocês.








